O genocídio

Sexta feira assistimos ao filme Abril Sangrento, que conta sobre o reencontro de dois irmãos, Augustin Muganza, um ex-soldado do exército ruandês, e Honore Muganza, um ex-radialista da Radio Télévision Libre des Mille Collines (RTLM), preso para julgamento no Tribunal de Arusha pelo genocídio de Ruanda.

Essa semana, como disse no outro post, li bastante sobre o genocídio. Montamos um pacote com informações diversas sobre Ruanda incluindo o genocídio.

Eu já tinha assistido ao filme Hotel Ruanda, mas não tinha muita noção de quão terrível o genocídio foi.

Três diferentes grupos étnicos são conhecidos em Ruanda: os Tutsis, os Hutus e os Twa (minoria, pouco conhecidos).

Quando os belgas chegaram ao país em 1916 começaram a separar as pessoas por sua etnia, colocando em seus RGs “Tutsi” ou “Hutu”. Consideravam os Tutsis como superiores. Dessa maneira os Tutsis foram os mais privilegiados, tendo melhores oportunidades, melhores empregos e melhor educação.

Em 1959 os Hutus, revoltados, iniciaram um motim e cerca de 20 mil Tutsis foram mortos e muitos outros fugiram para os países vizinhos.

Alguns dos refugiados Tutsis, com o auxílio de Hutus moderados, formaram a Frente Patriótica Ruandesa (FPR) e em 1990 eles invadiram Ruanda. Depois de vários conflitos um acordo de paz foi assinado entre o então presidente de Ruanda Juvenal Habyarimana (defensor do “poder Hutu”) e a FPR.

Em 1994 (não se sabe até hoje o culpado) o avião de Juvenal Habyarimana foi abatido, matando-o.

O Hutus acusaram os Tutsis, afirmando que tentavam retomar o poder. Começaram a perseguir e matar todos os Tutsis e também os Hutus mais moderados.

Os massacres, que começaram dia 6 de abril de 1994 e terminaram no meio de julho (menos de 3 meses), deixaram cerca de 800 mil mortos.

Uma comparação feita no livro “Pé na África”, por Fábio Zanini:

“Em outras palavras, supondo que 800 mil tenham sido mortos, foram algo como 260 mil mortes por mês. Em comparação, para matar 6 milhões de judeus, Hitler precisou de quase seis anos, ou uma média mensal de 83 mil. Dito de outra forma, o genocídio ruandês foi três vezes mais rápido do que o judeu e, mais impressionante, foi feito à base de instrumentos rudimentares como facões e machadinhas.”

O país ainda sofre muito com as consequências do Genocídio. Milhares de viúvas, muitas das quais sofreram estupro, agora são HIV positivas. Existem cerca de 400 mil órfãos e cerca de 85 mil deles tiveram que assumir a liderança na família. As crianças que sobreviveram ao genocídio estão chegando, agora, à idade adulta.

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~ by monicanickel on February 27, 2011.

2 Responses to “O genocídio”

  1. Meu coração dói de verdade toda vez que penso nessa história! Escrevi um monte aqui mas decidi focar em um post só sobre a minha revolta no meu blog. Falando nisso, hoje falei de vc lá 😉
    Demorou mas chegou 😉
    Beijinhos

  2. E só mais uma coisinha que eu acho que é muito válido dizer: os Belgas consideraram os Tutsi superiores pq eles tinham traços “mais brancos” como rosto e nariz mais fino, a pele ligeiramente mais clara. A mesma velha mentalidade de que os brancos são melhores.

    E eu só vi alegria mesmo no rosto dos Twa. Mesmo sendo aquela alegria sofrida. Os Hutus e Tutsi de hoje são bastante sérios. =/

    Beijinhos

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